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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

José Antônio Pereira - Fundador de Campo Grande, Mato Grosso do Sul

Escrever sobre a história de ilustres personalidades, sempre foi o desejo dos literatos ou amantes da literatura, isto porque se busca fazer justiça para com a memória e seus descendentes. Mato Grosso do Sul, tem seu início pioneiro, por meio das incursões de desbravadores paulistas, mineiros e paranaenses.

Houve sim após a guerra da Tríplice Aliança ( também conhecida como Guerra do Paraguai ), um interesse redobrado pelas vastidões das terras da vacaria.

A região do hoje Mato Grosso do Sul começa a receber em 1850 uma decisiva marcha, incentivada pelo senador Barão de Antonina, para se apossar de terras devolutas; após o término do conflito e que definiu as divisas, mas ainda houve essa procura. E nesse contexto, vem em 1872, empreender uma viagem de reconhecimento dessa área, o cidadão José Antônio Pereira, natural de Barbacena, Minas Gerais, onde nasceu aos 19 de março de 1825.
Foi assim a sua chegada à confluência dos córregos Prosa e Segredo. A partir daí, em 1872 é dada a fundação de Campo Grande. Foi a família deste ilustre brasileiro, que tem uma rua com seu nome ( José Antônio ), seu busto elevado, entre a Afonso Pena e a Calógeras; ainda no Obelisco, na avenida Afonso Pena, faz a ele a reverência de herói.

No museu histórico, na avenida Guaicurus, ainda hoje se encontram depositadas parte de suas memórias. Realmente essa ilustre pessoa pontua com evidência necessária, diante de sua imensurável folha de serviços que prestou no limiar de nossa existência.

estes apontamentos e registros vão com o tempo sendo ampliados, guardados ou divulgados. São joias de raro valor! Centenas de historiadores ampliaram, e chegando aos poetas, para canto em versos. Este homem com essas dimensões, veio a falecer em 1900, marcou para todo o sempre, tendo seu jazigo de saudades, bem à frente no cemitério Santo Antônio, nesta capital.

Mas ficaram seus descendentes, filhos, netos e novas gerações, espraiando nos imensos bairros de Campo Grande e no estado do Mato Grosso do Sul; famílias numerosas que levam o sobrenome Pereira, cuja dimensão é difícil de se aquilatar nos dias atuais.
Artigo publicado no Jornal O Estado, pag. 2 do dia 06/11/2018, por Arthur Jorge do Amaral da UBE-MS.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

A Roda de Despedaçar ou Roda da Fortuna

A "Roda de Despedaçar" era um instrumento de tortura largamente usado pelo Direito Penal e pelo Direito Canônico desde os primórdios da Idade Média.
A vítima, nua, era esticada de barriga para cima na roda com os membros estendidos ao máximo e atados com cordas ou anéis de ferro. Sob a roda colocava-se um braseiro. O carrasco, girando a roda cheia de pontas, fazia com que a vítima fosse assada lentamente.
As vezes no lugar de brasas colocavam-se pontas de ferro na base, e à medida que a roda girava, o corpo se despedaçava. Aplicavam-se violentos golpes com uma barra, destroçando todas as articulações, partindo os ossos, evitando-se golpes que pudesses ser mortais.
Provocava-se, como é fácil imaginar, um verdadeiro paroxismo de dor, levando a plateia ao delírio. Depois do despedaçamento, o condenado era desatado e lhe entrelaçavam os membros com os raios da grande roda, deixando-o ali até que morresse. Os corvos arrancavam pedaços de carne e vazavam os olhos até a chegada do último momento.
Junto com a prova de fogo, o despedaçamento era um dos espetáculos mais populares que ocorriam nas praças da Europa. Multidões de plebeus e nobres se deleitavam ao contemplar um bom despedaçamento, como comprovam várias gravuras da época.
A gravura acima, provavelmente uma xilogravura do século XVII, recebeu a denominação de "roda da fortuna", remetendo-nos a símbolos esotéricos de práticas comuns na Idade Média e que se perpetuam até hoje, como o Tarô e a Cabala.
A roda ou círculo significam o eterno retorno: o nascer e morrer; os ciclos da natureza. Chamar esse terrível instrumento de tortura de "roda da fortuna", além de cinismo, é de uma imprecisão comum encontrada nas fontes imagéticas que nos chegam através das gravuras amplamente divulgadas em livros a partir do Século XVI.
A "fortuna" indicaria o destino do réu como alguém sujeito às forças divinas, algo como azar ou fados. na verdade tratava-se de um procedimento processual público primitivo e irracional. Esperava-se que o réu suportasse o suplício, provando assim sua inocência: reminiscência dos ordálios de Deus.
Seguindo o direito penal comum, os inquisidores medievais lançavam mão, com frequência, da "roda de despedaçar", principalmente nas regiões do norte da Europa: Germânia, países Baixos e Inglaterra.
A chamada Inquisição Moderna - o Tribunal do Santo Ofício - instalada na Península Ibérica a partir de 1478 ( bula Exigit sincerae devotionis affectus ), praticamente não se utilizou mais desse instrumento público, preferindo a tortura por meios mais requintados: o isolamento nas masmorras, as sessões repetidas de interrogatório, o desconhecimento por parte dos réus dos seus acusadores e da culpa que lhes era imputada, impossibilitando-lhes a defesa; aplicação do suplício no "potro" ou na "polé" para obter a confissão, até a pena final da morte na fogueira, queimando-se o corpo para salvar a alma.
Este texto é da autora Benair Alcaraz Fernandes Ribeiro, e foi originalmente publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional nº57 de junho de 2010.